Uma alma gentil a tirou do sol, do mesmo sol que antes a fazia sorrir e agora era pesado demais para ela. Outra alma gentil deu-lhe água, diariamente, silenciosamente. Alguns dias se passaram e as folhas todas sofridas e secas, simplesmente ressuscitaram. Não era o fim dela, não foi o fim daquele ciclo. Elas não caíram e nasceram novas, elas simplesmente tiveram a força e o apoio necessário para voltar a vida, e agora jazem verdejantes e sorrindo ao lado da porta. O sol ainda é muito forte para elas, então elas apenas o olham de longe, mas sorrindo.
Nós achamos o limite certo para ela, de sol e de água. Duas coisas que ela sempre precisa para permanecer viva, mas que, de ambas, às vezes mais e às vezes menos.
E isso me fez pensar, do que eu preciso para permanecer viva? Quais são as minhas duas coisas para permanecer viva?
Nós somos como plantas. Assim como plantas diferentes têm limites diferentes de sol e água, e mesmo limites que mudam com as estações, nós também temos limites diferentes. Nossos limites variam entre nós, e variam em nós mesmos dependendo das nossas estações.
E uma varanda cheia de plantas, claro, é sempre mais bela. Mas em alguns momentos algumas dessas plantas não poderão estar lá junto com as demais, e se estiverem… elas vão definhar ao invés de florescer.
Manoela Brum