Páginas

domingo, 28 de junho de 2026

Solitude

É difícil encontrar o lugar certo e os limites certos para uma planta florescer. Eu tinha uma roseira vermelha. Eu ganhei ela linda, cheia de flores, cheia de botões aveludados e carmesins. Ela viveu bem na minha sacada, até que chegou o verão. Eu sabia que ela precisava de sol, muito sol. Dentro de casa ela ficava triste, mas no verão ela também ficou triste. Ficou mais do que triste, ficou despedaçada. Eu sempre gostei tanto dela e eu não sabia o porquê. Ela secou e não importava o quanto eu regava-a, não era o suficiente. Ela não conseguia sobreviver com todo o fardo que o sol estava colocando sobre ela. Ela definhou. Ela perdeu toda a cor, beleza e força. O que antes lhe dava vida, agora estava a matando. Eu tirei ela do sol, mas não a pus muito longe. Deixei-a ao lado da sacada. E eu achei que ela estava com um ciclo encerrado. Eu achei que deveria podar-lhe severamente os galhos para que da força das raízes, saíssem novos. Mas não foi necessário.
Uma alma gentil a tirou do sol, do mesmo sol que antes a fazia sorrir e agora era pesado demais para ela. Outra alma gentil deu-lhe água, diariamente, silenciosamente. Alguns dias se passaram e as folhas todas sofridas e secas, simplesmente ressuscitaram. Não era o fim dela, não foi o fim daquele ciclo. Elas não caíram e nasceram novas, elas simplesmente tiveram a força e o apoio necessário para voltar a vida, e agora jazem verdejantes e sorrindo ao lado da porta. O sol ainda é muito forte para elas, então elas apenas o olham de longe, mas sorrindo.
Nós achamos o limite certo para ela, de sol e de água. Duas coisas que ela sempre precisa para permanecer viva, mas que, de ambas, às vezes mais e às vezes menos.
E isso me fez pensar, do que eu preciso para permanecer viva? Quais são as minhas duas coisas para permanecer viva?
Nós somos como plantas. Assim como plantas diferentes têm limites diferentes de sol e água, e mesmo limites que mudam com as estações, nós também temos limites diferentes. Nossos limites variam entre nós, e variam em nós mesmos dependendo das nossas estações. 
E uma varanda cheia de plantas, claro, é sempre mais bela. Mas em alguns momentos algumas dessas plantas não poderão estar lá junto com as demais, e se estiverem… elas vão definhar ao invés de florescer.

Manoela Brum 


Nenhum comentário:

Postar um comentário