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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Voe, Eva.

Não queria ter estes sentimentos por ti. Quando começaram eram bruma da manhã, aconchegantes como calor de mãe. Mas o monstro não os deixou sozinho. Apareceu para mostrar que nem tudo são rosas, e que se forem, terão espinhos.
Não queria ter estes sentimentos por ti. Não os tenho por ninguém. Sei dar asas às aves que me cercam. Mas por que não sei dá-las a ti? Eu não entendo meu próprio sentimento. A alguns eu dou porque sei que não irão voar para muito longe, ao menos não sem lembrar o caminho de volta. A outros porque acho que se quiserem voar para longe é porque desde sempre estiveram aqui só de passagem, migrando de lá para acolá. Mas você... Eu não poderia perder. E não sei te deixar voar porque não sei se saberás (quererás) ver o caminho de volta.
Há coisas que eu preciso. Preciso tocar tua mão, preciso tocar teu rosto. Preciso ser o motivo dos teus sorrisos e o consolo dos teus choros. Preciso saber que sou para ti tanto quando és para mim. Ou então, preciso te deixar partir. Para sempre, para onde meus olhos jamais te visarão e meus ouvidos não mais ouvirão falar de ti.
O problema é que nenhum dos dois caminhos consigo seguir. Às vezes te olho e vejo que não precisas de mim. Quando, portanto, vou partir, algo me diz firme, que para lugar algum devo ir. Não agora. Não mais agora.
Talvez a saída seja voltar-me ao meu mundo e ter-te apenas nele. Assim poderei continuar aqui, tentando prosseguir sem atingir a mim ou a ti. Guardando meu “isso” para que jamais seja maculado. Naquele meu eterno, maleável e mutável baú feito de nuvens.

Manoela Brum

terça-feira, 12 de abril de 2016

It lies here

Tenho mil caminhos a seguir.

Preciso de algo que faça dormir.

Já não há mais o que resolva.

Palavras não mais existem para mascarar.

Músicas não mais existem para embriagar.

Preciso falar. O silêncio diz não.

Preciso olhar. O silêncio diz não.

E as poesias mais profundas, todas falam de ti.

Mesmo as que, não fui eu que escrevi.

Chego a querer parar de sentir.

Talvez eu devesse, apenas, dormir.

Manoela Brum

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Perfeição

Sei tanto sobre que, vejo que nada sei à respeito. 
É tão perto e tão tangível, mas quando olho ao lado vejo que é outro mundo. 
Mundo vizinho, que está a milhas de distância. 
Que está, literalmente, anos à frente. 
Seria regredir entrar no passado? 
Seria a redenção, o resgate da felicidade perdida?
Talvez será. 
Ou talvez perceberemos, eu e tu, que realmente não tens tempo para quem realmente se importa.

Manoela Brum

quinta-feira, 31 de março de 2016

Tome seu tempo. Leia. Pense. Não pense. Relaxe, respire fundo e vá.

"Há um grande perigo nessas loucas adorações: O perigos de perdê-las, não menor que o perigo de conservá-las." Oscar Wilde

É, eu deveria parar, parar, apenas parar.
Ás vezes eu penso isso.
Mas parece que já cheguei tão longe...
De fato, mais longe do que achei que chegaria.
Para agora parar?
Mas "isso" está me afetando, de um jeito que não deveria.
Será que é mesmo "isso" que me afeta?
Mas e se  for, não posso apenas impedir que me afete?

"Não quero sentir-me à mercê das minhas emoções. Quero experimentá-las, gozá-las e dominá-las." Oscar Wilde

Posso então simplesmente dominar "isso"?
"Isso" que nem sei o que é?
Que venho tentando descobrir, chegando cada vez mais longe, mas a lugar algum?
Mas não posso desistir agora.
Mas não posso manchar "isso" com cores tristes.
Mas não posso avançar maculando meu "isso".
Eu não sei o que vem em seguida.
Eu nunca imaginei que chegaria até aqui, então sei que não posso parar.
Preciso saber o que virá.

"O destino não envia arautos. É sábio demais, ou talvez cruel demais para isso." Oscar Wilde

Manoela Brum

Queen

Por fim agora eu tenho
meu baú feito de nuvens
meu baú secreto
minha caixinha de vida
meu refúgio do sentimento
a cama para meus sonhos
a calma para meu sono.
Tenho algo a guardar
algo a nunca perder
algo a nunca esquecer
que jamais deverá ser maculado.
Obrigada, oh rainha
obrigada por essa dádiva
obrigada por cada presente
obrigada por esse mar.
Por favor, deixe-me entrar.


Manoela Brum

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Algo

Por que você veio?
Veio sem vir
e não deixou nada pra mim.
Veio sem vir
E foi-se sem ir.
Não foi, mas não está aqui.
Nunca esteve aqui
Mas está demais aqui
Sinto você aqui,
Mas você não está aqui.
Quero que saia;
Quero que fique;
Quero que permaneça assim;
Quero que reaja, enfim.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

She / A Chuva

Ela aconteceu hoje
E seu som alegrou meus ouvidos
Seu cheiro preencheu-me inteira
Mas a vi seguir seu caminho.

Existe algo entre mim e ela
Pois sua ausência estraga o clima
Mesmo que as lembranças mantenham-na viva.

Porvir, tu farás a escolha.
Dê-me mais desta água.
Sacia-me deste convívio.

Últimas gotas de palavras torcidas.
Sem chuvas, não mais haverão escritos.

Manoela Brum