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quinta-feira, 17 de maio de 2018

"Only the weak are not lonely"

Não gosto de pessoas fracas. Pessoas fracas não sabem se aceitar, não sabem sequer serem elas mesmas. Se fazem como os outros a aceitarão porque elas mesmas não são capazes de se aceitar. 
Pessoas fracas tem medo de ficarem sozinhas, por isso conversam com muitos, são todo sorrisos, mantendo sua mente ocupada pelo que seus ouvidos ouvem o maior tempo que puderem do dia. 
Maquiagem, risos e sorrisos apenas servem para esconder dos outros o que elas mesmas não conseguem aceitar ao olhar no espelho. 
Pessoas fracas não sabem pensar. Não gostam de pensar. Se escondem atrás de uma personalidade burra por não quererem pensar sobre si mesmas. É mais fácil dizer que não sabe do que resolver a situação. 
Primeiro você ri, depois sente pena e então chora. Como viver num mundo estúpido de pessoas fracas? Como essas pessoas conseguem viver? Como elas tem forças para andar? Se pudessem enxergar suas fraquezas, morreriam de desgosto. Sequer teriam mais forças para respirar. 
Usam essas fraquezas para fugirem de suas verdades, sem perceber que o desenho resultante é infinitamente mais desprezível.

De figuras miseráveis tão grandes seres poderiam se tornar, simplesmente sendo capazes, primeiro, de olhar para suas torpezas. Não é tão difícil. Basta ser íntegro o suficiente para aceitar responsabilidades e consequências. Só assim se é capaz de olhar para o espelho e ver a beleza das torpezas tão cuidadosamente cultivadas.

Manoela Brum

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A felicidade

Dizem que a felicidade não pertence ainda a este mundo. Porém, em tal pensamento não consigo me satisfazer. Quanto de felicidade é preciso para dizer-se feliz? Será que sou tão pequena quanto uma criança que acha feliz sua vida pois não compreende a completude do mundo? Ou apenas apreendi o pequeno significado da verdadeira felicidade?

Em todos os mares do mundo se perdem meus sentimentos, e sempre que os encontro, sorriem-me trazendo consigo a felicidade. Sim, a felicidade existe. Ela pode não ser deste mundo, mas abrigar-se-á nos mundos dos que a atraem com uma singela réstia de luz ou calor.



Manoela Brum

quinta-feira, 22 de março de 2018

Uma brisa bateu, um suave sopro acalentou seu profundo sono, tão profundo que por vezes disfarça-se de morte. Seu breve movimento no berço das pétalas que restaram de você, mostraram que sua força está intacta. O tempo não irá matar. A distância não irá matar. A saudade não irá matar. A saudade o machuca, e as lembranças apenas alimentam a saudade. Mas ele é imune quanto aos machucados da saudade. Ele é imune quanto a tudo que já lhe foi testado. Sua força, sua vida vem de algo antigo e raro. Tendo perdido novamente o caminho à sua frente, terá sempre aquele atrás de si para se guiar.

"The dead times awake"
"The flower has fallen its petals"
"The time of beauty will never be the same"


Manoela Brum
https://www.youtube.com/watch?v=q3AAd956OI0

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Apenas deseje o horizonte

A eterna angústia do ver e do sentir. Eu gosto do que vejo e gosto do que sinto. Mas está longe.
Tão belo o horizonte e tão distante. A imponência de seu ser estarrece e assusta. Apresenta-se com imagens que seduzem. As mais atraentes cores, os mais atraentes perfumes. A mais perfeita armadinha. O horizonte é muito longe. Ele está lá para ser admirado, jamais alcançado. Ele está lá para inspirar. Tomar a mente, encantar o espírito, arrebatar a alma. Jamais para ser objetivo. Para ser protagonista em sonhos e poemas. Para gerar sentimentos, jamais para realiza-los.

E a cada findar de dia um sussurro apenas animará a sua fronte:
- Apenas deseje o horizonte.

Manoela Brum

sábado, 25 de novembro de 2017

Sleepwalker

[...] Parou de escrever e olhou para a janela pensando no quanto parecia loucura o que escrevia. Mas escrevia o que sentia. Mas pensava, então, que tudo o que sentia poderia ser apenas mais uma forma de fugir do que vivia. Será? Não sabia o que era, perdia-se da realidade nesses momentos em que, fechando seus olhos ou olhando para o nada, deixava seus pensamentos fluírem, fugirem, irem para onde desejassem junto com seus sentimentos. Aprendera o quanto era valorosa essa, que era a única, mas imensa, liberdade que tinha ali.
Manoela Brum

https://www.youtube.com/watch?v=fKJMKrX0Vlg


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

The rain again

“Todo aquele grande coração, deitado quieto, morrendo lentamente.
Todo aquele grande coração, deitado quieto, nas asas de um anjo.”

Todo aquele grande coração está morrendo lentamente. E está morrendo sob as asas do anjo que voa para longe. O anjo para o qual eu o dediquei. O anjo que se escondeu atrás de tua imponência.
Havia apenas uma coisa que era importante, a mais grandiosa e mais bela. Este anjo que eu vi, este que sorriu para mim, ele tentou sair. Ele tentou sair através de suas lágrimas. Eu sei, é difícil ser forte. Foram poucas as vezes que o pude tocar, foram poucas as vezes que o ouvi falar. Tentando ser forte prendeste-o dentro de ti, sem ver que a maior força ele te daria se o deixasses sair.
Te afundes o mais longe que, perdida, quiseres ir. Um dia terás de libertar o anjo que há dentro de ti. Um dia, como outra sombra ou talvez a mesma, eu estarei lá para ajuda-lo a sair.

Ainda escuto aquela voz ressoando no ar: Obrigada por, do que realmente importa, sempre lembrar.

Manoela Brum

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apenas os fracos aceitam a superficialidade


https://www.youtube.com/watch?v=ukDEYRXoH2g

 

(Fonte: The Crown)

"Em alguma noite nós acordaremos pro carnaval da vida;
A beleza do passeio adiante, um inacreditável êxtase.
É difícil acender uma vela, mais fácil amaldiçoar a escuridão.
Este momento, o amanhecer da humanidade, 
O último passeio do dia"

Last Ride Of the Day - Tuomas Holopainen


Apenas os fracos aceitam a superficialidade. Apenas os fracos apreciam, convivem e desenvolvem o superficial. Porque é mais fácil, porque é mais bonito. Porque o superficial lhes propicia menos decepções, uma vez que não se pode decepcionar-se com o que não se conhece. Vivendo o superficial, a vida deles não passa disso. O entendimento deles não passa disso. O renascimento deles não passa disso. Os risos tornam-se superficiais, os relacionamentos, as alegrias, e até mesmo as tristezas. Eles não se entendem porque não conseguem acessar o profundo, pois aprenderam a viver na superfície. Não podem alcançar o que não conhecem. Só conseguem raciocinar sobre si mesmos na superfície em que estão acostumados, o que faz com que não encontrem muitas respostas, ou encontrem respostas incompletas.

“Conhece-te a ti mesmo” – Uma das mais antigas sabedorias.

Só é possível conhecer a si mesmo e conhecer o outro indo além. Quando se mergulha dentro do mar dos sentimentos, a profundidade não existe mais. A cada passo dado, a vida tem mais sentido, o mundo e suas peculiaridades têm algum significado e a vida na superfície não tem mais graça. A vida na superfície se torna vazia e você entende a tristeza dos superficiais. Aqui, a arrogância perde cada vez mais a sua razão de ser, pois, quanto mais se desce, mais coisas horrendas é possível encontrar, assim como belas. As horrendas vêm primeiro, no entanto, e por isso também os fracos não conseguem prosseguir, porque é difícil ver as coisas atrozes que jazem dentro de nós. Como ficará seu orgulho quando você perceber o quão abjeto você é? Como você se sentirá quando perceber seus próprios embustes? Por isso a arrogância não tem espaço aqui, porque ela nunca será forte o suficiente para enfrentar todas as verdades que o profundo mostra. Mas o belo... Ah, o belo. Ele é muito maior. O belo é maior porque coisas boas também jazem ali, mas também porque o aceitamento de suas próprias atrocidades é ainda mais belo. O aceitamento de si mesmo é tranquilo, é bonito, é forte e é paz.
O aceitamento de si mesmo ainda trará o aceitamento dos outros. E o aceitamento traz mais conhecimento. O conhecimento provoca sempre o estado de confusão, onde o orgulho tenta criar justificativas para o que foi descoberto. Se ele vencer, o estado de confusão não terminará e não será possível avançar. Para avançar ao profundo é preciso estar tranquilo, e para isso é necessário reconhecer e aceitar as piores torpezas encontradas até então. Portanto, o caminho ao profundo é exercício de humildade, é o caminho do conhecimento e é evolução. O caminho ao profundo é fatalidade, porque todos, um dia, mergulharão. A vida na superfície é vazia, é vaga, é sem graça. Não é possível compreender a felicidade vivendo na superfície. E não há sequer um ser pensante que não almeje a felicidade.


É preciso ser forte para mergulhar, é preciso ser forte para se conhecer, é preciso ser forte para se aceitar, é preciso ser forte para ser feliz.


Manoela Brum
Inspirado, entre outras coisas, no texto: Sete hábitos de pessoas cronicamente infelizes (http://www.portalraizes.com/7-habitos-de-pessoas-cronicamente-infelizes/)