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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tanto tão nada... Nada tão tanto...


O que temos?
Na verdade, temos muito.
Muito de nada.
O que é tudo o que temos?
O que é o que queremos?
Por que queremos?
Porque temos tudo tão tanto e,
Tudo que nada temos, tanto queremos?
Porque muito de nada parece tanto?
Por que tanto pode parecer tão pouco?
Porque tanto?
Por que nada?
Por que tanto nada?
Ou tanto tanto?
Tanto nada que é tanto?
Tanto tanto que é nada?
Nada perto do tanto,
Tanto perto do tanto.
Não sei o que tenho.
Não sei se é nada;
Não sei se é tanto.
Nem sei se tenho. 

Manoela Brum

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Crianças Desdentadas

A vida tem diversas fases. A cada nova fase da vida, entramos como alguém que entra com os olhos vendados em algum lugar onde jamais havia entrado: no escuro. Entramos no escuro a cada nova fase da vida. Não sabemos como vai ser. Não sabemos mesmo como é, ou como já foi. Nem mesmo sabemos se é.
E assim seguimos nessa fase, passando aos poucos a conhecê-la melhor e entende-la. Conhecemos as pessoas que vão fazer parte desta fase, ou a imagem delas. A cada dia aprendemos mais sobre o novo terreno, as novas condições e as possíveis continuações, as possíveis próximas fases.
E assim nossos dentes vão crescendo, aprendemos a mastigar, primeiro as coisas macias, depois as “carnes” dessa nova fase; aprendemos a roer os ossos e aprendemos que uma coxa de galinha fica mais gostosa quando usamos diretamente as mãos para comê-la. E nossos dentes, então, cada vez mais fortes se tornam.
Entretanto, continuamos permanentemente desdentados. Por quê? Fases novas sempre aparecem e, embora haja cada vez mais experiências na bagagem, continuamos sempre desdentados, pois nunca sabemos o que vai acontecer. Nem mesmo os lendários psicopatas geniais (que se existirem, têm minha profunda admiração) têm seus dentes permanentemente, pois por mais que manipulem toda e qualquer situação para que ocorra da forma como querem, quando num novo terreno, numa nova fase, passam seus primeiros momentos observando o meio e as pessoas. São seus dentes que estão nascendo. Nascem mais rápido do que os das pessoas normais, mas ainda, precisam nascer.
Logo, na realidade, somos crianças desdentadas que têm seus dentes se desenvolvendo a cada nova fase na vida?
Mas... O que dizer dos dias? Dos novos dias? Você sabe como vai ser amanhã? Você acha que sabe, ou tem uma conclusão generalista de como vá ser, mas você nunca tem certeza absoluta de como será. O dia de amanhã é sempre escuro antes de acontecer. Por mais que uma análise posterior mostre que ele foi igual ao anterior, antes de ser não sabemos como será. O mesmo acontece para os minutos, para as horas. Temos uma noção de o que estaremos fazendo nas próximas horas, mas nunca podemos ter certeza. A quem acha que a tem, a vida se encarrega de mostrar que nunca a temos. Então somos crianças desdentadas sempre perante a vida, porquanto, por mais que as experiências nos permitam já saber como mastigar certas situações, sempre haverá situações novas, infindavelmente. E nunca sabemos quando essas situações virão, então por mais que estejamos em terreno conhecido e com nossos dentes firmes, sempre há relevante possibilidade de estarmos pisando no desconhecido, achando que é conhecido. Nunca sabemos, ao certo, o que sabemos, o que conhecemos. Nunca sabemos se sabemos ou conhecemos. Nunca sabemos.
Somos ainda crianças desdentadas perante a vida, perante o mundo. E sempre o seremos. E quanto mais procurarmos saber, mais ainda veremos o quanto ainda somos desdentados.

 
Manoela Brum

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sã loucura

A razão é, em geral,
Bastante lógica, bastante racional.
Ela diz que não devo alimentar
O que sei não alcançar.
Que não devo a tentar iludir
Com desejos que não se irão cumprir.
Mas a ilusão continua,
E não é, nem nua, nem crua.
Pelo contrário, vestida ela vem,
Como bruma no além.
Como nuvem macia a planar.
Como vento ameno a soprar.
Como chuva cristalina a cair.
Ela vem da forma mais doce que se pode pensar.
Ela vem da forma mais necessária que se pode tornar.
Ela vem, e vem apenas para me salvar.
 
Assim, minha loucura me impede de enlouquecer.
 
Manoela Brum

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SURVIVE

Se esquivar das feras
E sair dando risada.
Tentar não sentir o vento
Soprando em seus ouvidos
O que você tem que fazer,
O que você tem que pensar.
Ver o sangue jorrando
E ter de encará-lo como água,
Água que é bom para limpar.
Sentir o ardor interno,
Tomar algo gelado,
E fazê-lo parar.
Pensar na vida,
Esquecer que outros dependem dela,
E que ela, de outros.
Talvez o segredo seja viver em bandos,
Mas é necessário saber viver sozinho.
Como? Se da vida dependem outras,
E de outras depende ela?
Muitas vezes preciso rir hoje
Pra chegar ao amanhã.
Mesmo que o riso de hoje signifique o pranto de amanhã.
Amanhã terei de achar outra coisa para rir,
Mesmo que esta signifique o pranto de algum tempo.
É necessário sobreviver,
E talvez pra isso seja preciso
Uma relação recíproca,
Que nunca é possível
Seja na mente de um,
Ou na vida de outro.
O mundo atual não é canibal,
Mas o único objetivo é sobreviver.
Pois sem isso, não se vive.

Manoela Brum

terça-feira, 6 de março de 2012

Pensamento derrotista

Para mim, pensamento derrotista é ver a vida passar.
É querer o mundo, em tua vida a girar,
que todos te sirvam,
que não precises trabalhar,
que o governo te mantenha,
que sê tu a parasitar.
Ainda, pensamento derrotista para mim é o seguinte:
"Aah se possível,
Se possível não trabalharia,
nem estudado seria,
apenas viajaria,
do mundo, da vida aproveitaria.
E depois de cercar-me com muito requinte,
morreria feliz, satisfeito estaria."
Dourado pensamento,
ornado de infelicidades.

Derrotista, não é exatamente isto?
Não trabalhar, não sofrer para alcançar, apenas "aproveitar"?
Isso sim é sonhar.
Isso sim é derrotismo.
Mas não, planejar, estudar, sofrer, trabalhar e alcançar,
isso não é sonhar,
isso não é derrotismo.

Manoela Brum

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vida é substantivo comum. Tranforme-o em próprio.

Pare. Olhe em volta. Tantas pessoas no seu mundo. Tantas vidas que você conhece e... você não vê nenhuma semelhança? Olhe melhor, analise. A vida é a mesma para todos. Sim, mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mais de 7 bilhões de vidas, e... uma só vida.
"Vida" é um substantivo comum com um único sentido literal, apenas uma palavra, um signo; são as pessoas que lhe dão seu sentido real, as pessoas que tornam o "vida" algo vivo. São as pessoas que lhe transformarão em algo com significado, em algo próprio, elas que lhe darão seu objeto ou interpretante.
Como você vê o prato mais saboroso, na sua opinião, depois de ter comido três deles e já estar mais que satisfeito? Que sensação lhe dá ao vê-lo? E como você vê o prato mais saboroso, na sua opinião, antes de comer três deles,estando há 8 horas sem comer absolutamente nada?
Como você olha para uma garrafa de água no inverno? E como você olha para ela no verão, depois dar uma bela caminhada?
A vida é como um prato saboroso, ou como uma garrafa de água. Ela só vai nos importar se precisarmos dela. Mas ela não precisa de nós, ela está ali, passando, e se não agarrarmos a nossa garrafa de água ou o nosso prato de comida, alguém vem e pega. E depois quando estivermos com fome e não tivermos o prato para comer, ou quando, no verão, estivermos com sede e não estivermos com a nossa garrafa de água, o que faremos? Nós tivemos a nossa chance de pegá-los, mas achamos que não precisaríamos deles e por isso os deixamos ali. A vida é isso. Ela é um prato de comida, ou uma garrafa de água. E ela nos é interessante na medida em que precisamos dela, ou melhor, ela nos é interessante de acordo com os olhos que disponibilizamos para olhá-la.
Em todo lugar há contrastes assim. Em todo lugar há uma pessoa que olha para a vida com olhos insaciáveis e outra que olha para ela com olhos desinteressados. Para quem o prato de comida ou a garrafa de água vão ser mais saborosos?


Manoela Brum

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O mundo é muito maior do que isso

           Agora pare. Pense em tudo o que tu já viveste; relembre cada lembrança, revivendo as emoções do momento; veja o quanto já foi vasta a tua vida até hoje; capte a imensidão do que digo... Agora pense em todos os filmes, em todas as observações, em todas as conclusões que já tiveste, em tudo que já aprendeste em cada situação da tua vida; é muita coisa, não é? Tu estás certo de que não se lembraste de tudo, correto?Pois bem... Venho dizer-vos que o mundo, é muito maior do que isso... Não encare isto como um clichê, pois procurando no ponto mais profundo da frase, talvez encontre mais do que simplesmente pensas que entende ao lê-la.
          No filme “Poder além da vida”, o personagem Sócrates (Nick Nault) demonstra exatamente o que quero dizer. Ele ensina o que é viver um momento. Todos achamos que sabemos viver certos momentos, pois há certos momentos que são tão importante para nós, e sabemos disso, que vivemos ele extremamente, nos dedicamos ao máximo para vivê-lo e curti-lo. E ainda assim não estamos sabendo viver aquilo... Na verdade, sei que é difícil de entender exatamente o que estou querendo dizer, pois até eu mesmo não entendia exatamente o que era isso. Quando vi o filme, entendi que o que ele (Sócrates) estava querendo mostrar deveria ser maravilhoso, mas eu não conseguia nem imaginar aquela sensação, apenas achava que seria muito bom alcançar aquilo, porém não sabia se o conseguiria, e até que ponto aquilo é realmente real, possível.
          Consegui ter essa noção hoje, quando voltava da aula e um passarinho voou em minha frente. Eu já parei para observar muitos passarinhos voando, até em situações mais belas que a de hoje, porém a de hoje foi diferente. Eu senti, o que Sócrates tentava ensinar Dan a sentir, a perceber com detalhes tudo o que acontece à sua volta naquele momento. Isso parece pouco e inútil mas... não há explicação... eu senti isso em uma fração de segundos hoje e já me sinto abençoada por isso... Gracias, por eu ter podido ter a oportunidade de sentir aquilo... é como se a minha áurea tivesse se expandido muito naquela fração de segundo, de tal forma que eu senti, não vi, nem ouvi, nem nada do gênero, eu realmente senti e tive consciência de tudo o que acontecia em minha volta naquele instante; eu senti, vi e percebi tudo o que estava a minha volta sem olhar para nada, absolutamente nada. Parecia que eu havia sentido o que os bichinhos a minha volta sentiram... parecia que meus olhos me olhavam de cima e me mostravam tudo o que há ali... Eu percebi que nós realmente não vemos tudo, mais que isso, que não vemos nada do que é o mundo... do que é a vida.
          Foi realmente apenas um instante, mas me trouxe uma compreensão eterna: A vida, é muito mais do que isso. Por isso, disse no início: Pense em tudo... mas a vida, é muito mais do que isso... A verdadeira vida, é muito mais do que isso.
Manoela Brum

sábado, 17 de setembro de 2011

O trágico quadro de quem passa a vida buscando reconhecimento

Assisti na noite passada mais um episódio da série “CSI Investigação Criminal”. O episódio de ontem mostrou o trágico quadro de alguém que passou a vida toda buscando reconhecimento por suas obras e, não conseguindo jamais, apelou para a prática de matar pessoas transformando-as em "arte". O que o vivente fazia era pegar pessoas que segundo ele não eram nada e transformá-las em algo belo, como disse, matando-as com ataque cardíaco em decorrência de asfixia por uma solução com gás carbônico; dessa forma, as pessoas morriam e tinham seus músculos enrijecidos. Ficavam, então, por dez horas na posição em que haviam morrido. Assim, o artista assassino os modelava da forma como queria, com posições naturais, do dia a dia. Sua arte, segundo ele, era para que ele fosse lembrado, pois ele havia passado a vida inteira buscando reconhecimento e nunca havia conseguido. Agora, ele o teria conseguido.
A questão que venho comentar é o extremo que chegam as pessoas que buscam reconhecimento em tudo o que fazem. Argumentariam alguns que é necessário o reconhecimento por nossas ações e obras, pois isso estimula a continuidade do trabalho. Sem dúvida é agradável recebermos reconhecimento por nossas obras, mas isso é realmente necessário? Um dos grandes gênios da nossa história se incomodava com isso e dizia que sua maior qualidade era “trabalhar muito e ser teimoso como uma mula”, palavras dele. Sim amigos, estamos falando de nosso querido Albert Einstein, um homem de jamais quis reconhecimento, que deixou o que deixou para a humanidade por simplesmente achar que o universo dos infinitamente pequenos não era exatamente como as fórmulas de até então determinavam. Mas ele jamais quis reconhecimento, jamais quis dinheiro pelo que fazia; ele, que quando foi trabalhar nos estados unidos, respondeu, quando lhe perguntaram o que precisaria em seu escritório para trabalhar: “Uma escrivania ou mesa, uma cadeira, lápis e papel. Ah, e um grande cesto de lixo, para que eu possa jogar nele todos os meus erros”. Este homem, meus amigos, passou grande parte de sua vida às ocultas, trabalhando e tendo como lazer o estudo das magníficas leis naturais. Por mais ou menos metade de sua vida ele não obteve reconhecimento algum, e isso o desanimou? Isso o revoltou contra a humanidade? De forma alguma. Ele apenas fazia o que gostava, e com certeza, o que fora, soberanamente, designado para fazer. Mas e nós? O que faríamos se trabalhássemos uma vida inteira e não obtivéssemos reconhecimento algum sobre nossas obras?
Trouxe aqui, dois exemplos: o primeiro, uma mente doente que passou sua vida buscando o reconhecimento e chegou a um ponto obsessivo; e o segundo, um grande homem que viveu sua vida da forma mais genial que pudesse viver, deixou algo grandioso para a humanidade, mas nunca deixou sua humildade e sua preocupação social de lado. Um exemplo para todos nós.
Então, caros leitores, não passemos nossa vida esperando algo dos outros, reconhecimento ou qualquer ação que seja, sejamos humildes acima de tudo, e vivamos nossa vida com o desprendimento necessário para cumprirmos o que temos de cumprir, seja a grande missão da chefia de um lar e a formação de homens de bem, seja a igualmente grande missão de governar um país ou deixar/iniciar algo de bom para a sociedade.
Manoela Brum